
Origami é uma arte milenar japonesa nascida há quase mil anos na Corte Imperial, onde era conhecido como um passatempo divertido e interessante. Com o passar do tempo esta arte foi transmitida ao povo que adotou-a com o entusiasmo e transformou-se em uma arte conhecida no mundo todo.
A principio, a arte era praticada apenas por adultos, pois o papel era muitíssimo caro naquela época. Com o passar do tempo, a arte do origami, passou a ser ensinada nas escolas japonesas. Hoje em dia, o origami faz parte da vida dos japoneses, desde crianças até idosos e atravessou as fronteiras do arquipélago japonês.
Mas quando o origami surgiu? Bom, na verdade existem controvérsias sobre onde o origami foi inventado. Alguns estudiosos dizem ter sido na China, mas foi no Japão que essa arte se difundiu mais. Mas não importa, o importante é que essa arte foi e é tão apreciada, que hoje existem praticantes no mundo inteiro.

O que significa a palavra Origami?
Origami (do japonês: 折り紙, de oru, “dobrar”, e kami, “papel”) é a arte tradicional japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la.
As figuras representadas no origami têm diferentes significados para os japoneses, como, por exemplo, tsuru (grou) simboliza a paz, felicidade, boa sorte e saúde, o sapo significa amor e felicidade, a tartaruga significa longevidade, entre outros.
Sadako e os 1000 grous de papel
Não tem como falar do origami tsuru e não se lembrar da história de Sadako Sassaki, uma menina de 12 anos que foi vítima da Doença da Bomba Atômica, a leucemia. Sadako queria dobrar mil tsurus, na tentativa de ter o seu pedido atendido, isto é, ser curada da sua doença. Infelizmente, ela morreu antes de dobrar os mil grous, mas sua história ganhou asas e hoje é conhecida mundialmente.
Em sua homenagem, foi construído em janeiro de 1957 uma estátua de bronze em sua homenagem no Parque Memorial da Paz no centro de Hiroshima, onde ela segura um tsuru gigante. A inscrição gravada na pedra em frente ao monumento, diz: Este é o nosso grito. Esta é a nossa oração. Para a construção da paz no mundo.

Origami Days e Dia Internacional do Origami
O Origami é tão importante para os japoneses que tem até dia especial para ele. Dia 11 de novembro é comemorado o Origami Days (Dia Mundial do Origami no Japão). Mas por que escolheram essa data? Existe uma razão para isso.
Dia 11 de novembro foi a data em que o “tsuru” (dobradura do grou) foi oficialmente reconhecido como Símbolo da paz. E também foi nessa data que foi declarada o fim da Primeira Guerra Mundial que ocorreu no ano de 1918.
Em outros países, como EUA, Europa etc, a celebração vai dos dias 24 de outubro à 11 de novembro, onde as comunidades mundiais de origami se mobilizam e executam o maior número de ações possíveis, para divulgar a milenar arte de dobrar papel, suas utilizações e seus benefícios para a coordenação, disciplina e criatividade.
Fonte:
http://www.japaoemfoco.com/origem-do-origami-significado
História do Origami – Apresentação de Origami.club
História do Origami
Quando dobrar papel se torna um gesto de cultura, educação e paz
Antes de ser técnica, o origami é intenção. Antes de ser forma, é presença. Ao longo da história, dobrar papel foi uma maneira de ensinar valores, registrar memórias, celebrar encontros e transmitir conhecimento. Este texto é um convite para professores e educadores olharem o origami não apenas como atividade manual, mas como linguagem cultural e potente recurso pedagógico.
🌿 1. O nascimento de uma tradição milenar
Muito antes de chegar às salas de aula, o origami já habitava templos, cerimônias e rituais. Embora o papel tenha surgido na China por volta do século II a.C., foi no Japão, a partir do século VI, que a prática da dobradura ganhou profundidade simbólica e continuidade cultural.
As primeiras dobras não tinham caráter decorativo ou lúdico. Elas eram usadas como embalagens de medicamentos e ervas e, principalmente, como elementos dos rituais xintoístas, onde o papel dobrado servia como ponte entre o humano e o sagrado. Até hoje, é possível ver essas origens nos templos japoneses, representadas pelas serpentinas de papel em zigue-zague chamadas gohei.
📷 Sugestão de imagem:
Templo xintoísta com gohei ou detalhes de papel dobrado em rituais tradicionais.
🎎 2. Dobrar para comunicar: etiqueta, respeito e intenção
Com o passar dos séculos, o origami se refinou. Durante o período Muromachi (séculos XIV e XV), famílias como Ogasawara e Ise estabeleceram regras de etiqueta que incluíam a forma correta de dobrar o papel. Surgia ali a dobra cerimonial, onde cada gesto carregava significado.
É dessa época a tradição do noshi e das borboletas feminina e masculina, ainda usadas em casamentos japoneses para lacrar garrafas de saquê, simbolizando a união do casal. O papel dobrado não era enfeite: era mensagem.
📷 Sugestão de imagem:
Borboletas de origami usadas em cerimônias de casamento japonês.
📚 3. Quando o origami vira conhecimento escrito
Durante muito tempo, o origami foi transmitido oralmente. Mas a partir do século XVIII, surgem obras fundamentais que registram essa arte:
- Senbazuru Orikata (1797) – instruções para dobrar tsurus interligados
- Chushingura Orikata (1797) – diagramas ligados a jogos tradicionais
- Kan no Mado (1845) – uma enciclopédia artesanal de dobraduras
Esses livros mostram que o origami já era visto como educação, arte e sistema de conhecimento, algo muito próximo do que hoje chamamos de aprendizagem significativa.
📷 Sugestão de imagem:
Páginas antigas de livros japoneses de origami ou diagramas tradicionais.
✍️ 4. Origami como escrita, certificado e confiança
A palavra origami (oru = dobrar / kami = papel) existe desde o período Heian, mas seu uso inicial estava ligado à autenticidade. No período Edo (1603–1868), o papel dobrado passou a funcionar como selo de garantia, dando origem à expressão “origami tsuki”, usada até hoje com o sentido de certificado.
Dobrar papel era um compromisso ético: uma vez aberto, não poderia ser refeito da mesma forma. Uma poderosa metáfora para escolhas e responsabilidade — especialmente rica para o trabalho educativo.
📷 Sugestão de imagem:
Documento japonês antigo com dobras cerimoniais.
🧒 5. Origami e educação: aprender com as mãos e o coração
Entre o final do período Edo e o início do período Taisho, cerca de 150 modelos de origami já eram conhecidos. Muito antes da escola formal, as dobras eram ensinadas em casa, de geração em geração.
A partir do século XIX, o origami entra oficialmente nas escolas japonesas, sendo reconhecido como prática que desenvolve:
- coordenação motora
- concentração
- disciplina
- criatividade
- sensibilidade estética
Aqui, o origami se consolida como ferramenta pedagógica completa.
📷 Sugestão de imagem:
Crianças japonesas dobrando papel em sala de aula.
🇧🇷 6. A chegada do origami ao Brasil
No Brasil, o origami chegou por dois caminhos:
pela influência europeia via Argentina e, principalmente, com os imigrantes japoneses a partir de 1908.
Um personagem marcante dessa história é Takao Kamikawa, que trabalhava em fazendas de café e, aos domingos, reunia crianças em Bauru para ensinar dobraduras usando jornais antigos. Barcos, tsurus e figuras tradicionais se tornaram pontes culturais.
Mais tarde, na década de 1960, a Profa. Yachiyo Koda passou a ensinar origami oficialmente pela Aliança Cultural Brasil–Japão, formando professores, realizando exposições e levando o origami à televisão.
📷 Sugestão de imagem:
Fotos antigas de imigração japonesa ou oficinas de origami no Brasil.
🌱 7. Origami como recurso pedagógico e cuidado
A experiência brasileira mostrou algo essencial: o origami não depende de materiais caros. Papel de embrulho, propaganda ou jornal se transforma em ferramenta de expressão e comunicação.
Com o tempo, o público se diversificou: professores, médicos, psicólogos, engenheiros, empresas e hospitais passaram a buscar o origami como forma de:
- relaxamento
- integração
- cuidado emocional
- qualidade de vida
Hoje, o origami é reconhecido como prática educativa, terapêutica e cultural.
📷 Sugestão de imagem:
Oficina de origami com adultos ou em contexto de saúde.
🐸🕊️ 8. O simbolismo que atravessa as dobras
Cada figura de origami carrega um significado:
- Sapo (Kaeru): retorno, amor, esperança
- Tartaruga: longevidade e sabedoria
- Tsuru: paz, felicidade, saúde e boa sorte
O tsuru tornou-se símbolo mundial da paz, especialmente após a história de Sadako Sasaki, e nos lembra que intenção e gesto caminham juntos.
📷 Sugestão de imagem:
Tsuru de origami em diferentes cores ou instalação coletiva.
🗓️ 9. Origami, paz e celebração
No Japão, o Dia do Origami é celebrado em 11 de novembro, data em que o tsuru foi reconhecido como símbolo da paz e que marca o fim da Primeira Guerra Mundial. Em outros países, as celebrações acontecem entre 24 de outubro e 11 de novembro, com ações educativas em todo o mundo.
📷 Sugestão de imagem:
Instalação de tsurus pela paz ou monumento de Hiroshima.
✨ Um convite final aos educadores (e aos curiosos)
Origami é história viva.
É cultura que se dobra.
É educação que se constrói com as mãos e com o coração.
Se este texto te inspirou, experimente algo simples e profundo:
pegue um papel quadrado, respire fundo…
e dobre seu primeiro origami.
Quem sabe um tsuru —
um gesto pequeno, ancestral e cheio de significado 🕊️
Uma nova dobra pode abrir novos caminhos de aprendizagem.
